Sobre mim

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Ao Porto, a cidade onde nasci e cresci, devo todas as influências e experiências. Na minha infância, estiveram sempre presentes as festas de família com mesas fartas de doces e iguarias que contribuíram para o meu fascínio pela cozinha e doçaria tradicional. Régua e Lamego eram os locais de eleição nas férias de verão, em que as feiras e romarias estavam sempre no nosso roteiro de visitas, onde me perdia de entusiasmo com quantidade e variedade de doçaria conventual e tradicional da zona.

Na adolescência quando fiz o meu primeiro bolo de chocolate, apaixonei-me pela pastelaria e desde então fiz da minha cozinha um verdadeiro laboratório, criava receitas e alterava algumas, de forma a atingir a perfeição. Era muito importante a opinião da família sobre as minhas criações, pois são pessoas de bom gosto e de muito bom paladar, sendo que, é genuína e não suspeita pelo parentesco.

Mais tarde, a vida levou-me até Évora onde casei e constitui família. Desde logo, fiquei fascinada com a excelente e variada gastronomia Alentejana, principalmente com a doçaria conventual desta região, tão variada e de tão grande qualidade.

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As receitas antigas da minha nova família, oriundas do convento de Santa Clara d´Évora, foram as primeiras receitas que estudei e pus em prática e assim tomei a decisão de me dedicar ao mundo da doçaria conventual, e desta fiz o meu negócio quando me mudei para a Ericeira. Aqui, vislumbrei a oportunidade de alargar os meus conhecimentos e decidi frequentar o curso de Especialização Gestão e Produção de Pastelaria no CFPSA, Pontinha – Lisboa, onde troquei experiências e aprendi novos conceitos , me aperfeiçoei e finalizei, cheia de novas ideias que pretendo por prática.
A aprendizagem com a pesquisa e a sensibilidade e experiência que adquiri, através destas experiências que me ensinaram a dosear e a retirar o melhor partido dos ingredientes, procurando sempre a excelência e a qualidade do produto final e acima de tudo a satisfação de quem degusta as minhas criações.
O meu compromisso pessoal e familiar é a de aperfeiçoar as receitas antigas a novos formatos e a de criar novas receitas apoiado no estudo do que a história nos deixou, seguindo o rigor e a preservação das origens gastronómicas, a distinção e respeito pela qualidade dos ingredientes, a irreverência e a criatividade nas misturas e o equilíbrio de todos os projectos finais, já que considero que a cozinhar deve ser divertido, mas no final é um acto de amor.
A cozinha dum pasteleiro deve ser inovadora sem esquecer a mais tradicional, deve ter alma, histórias e memórias mas essencialmente deve ter emoção e paixão quero deixar aos meus filhos uma herança idêntica à que recebi, na Pastelaria Criativa e Artesanal, na Doçaria Conventual Portuguesa, nas Massas e Recheios e futuramente na formação.
O afeto, a qualidade, a criatividade e a irreverência são os ingredientes usados em tudo o que faço e que pretendo transmitir a todos os que partilham, tal como eu, esta paixão pela Doçaria.

Divirtam-se
Sónia Inglês